Marielena Vogel Saivish

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AUTORA: Marielena Vogel Saivish
TÍTULO: Detecção genômica dos vírus da febre amarela e rocio em pacientes de Goiânia com doença febril aguda
ORIENTADOR: Professor Doutor Marcos Lázaro Moreli
DEFESA DA DISSERTAÇÃO: 03/03/2020

RESUMO:

Arbovírus (arthropod-borne virus) são um grupo ecológico de vírus transmitidos principalmente por mosquitos hematófagos, envolvendo ciclos complexos. Constituídos por vírus de importância médica, seus principais representantes englobam principalmente vírus pertencentes ao gênero Flavivírus. Destaca-se que em diversos países tropicais e subtropicais, incluindo o Brasil, esses vírus têm emergido e representam um dos principais problemas de saúde pública porque ocasionam constantes epidemias e surtos como é o caso dos vírus Dengue (DENV), vírus Zika (ZIKV) e vírus da Febre Amarela (YFV) recentemente. Adicionalmente, as constantes epidemias elevam o número de pessoas que procuram atendimento médico e provocam sobrecarga na rede pública de saúde, resultando em elevados custos econômicos para os países afetados. Neste estudo, buscou-se a identificação parcial de material genético de dois dos principais arbovírus sul-americanos: vírus da Febre Amarela e vírus Rocio (ROCV). A identificação foi realizada a partir do soros de pacientes com doença febril aguda suspeita de infecções pelos vírus DENV. Foram selecionadas 121 amostras DENV negativa a partir de um lote de 647amostras, coletadas de forma retrospectiva, com diagnóstico descartado para o vírus dengue, durante uma epidemia de dengue em Goiânia – GO. Após extração do RNA viral, e a padronização da de RT-PCR, seguido de Uniplex-Nested-PCR com primers específicos para a região da proteína Não estrutural 5 (NS5), foram identificadas duas amostras contendo o genoma parcial do YFV, uma amostra contendo genoma parcial do ROCV, e uma amostra evidenciando coinfecção pelos dois vírus (YFV e ROCV). Notadamente, esta é a primeira vez, que em mais de 30 anos, que uma infecção aguda por vírus Rocio é identificada a partir de amostras de seres humanos. Realizamos uma análise filogenética dessas sequências em conjunto com cepas referência de outros arbovírus, obtidos do GenBank, de dados na mesma região da NS5 pelo método de Máxima Verossimilhança. As sequências do ROCV obtidas nesses estudos se agruparam no clado do ROCV da literatura e clados dos subgrupos do vírus Ihéus. No caso da YFV as sequências de todos os pacientes formaram um único clado com esses vírus. Ainda, devido aos escassos testes de diagnóstico existentes para o ROCV, desenvolvemos um novo protocolo de diagnóstico molecular para identificação de uma região maior do genoma viral. O YFV causa a doença febre amarela, que clinicamente pode se apresentar assintomática, oligossintomática, moderada, grave e maligna, sendo a última caracterizada como uma febre hemorrágica. A febre amarela permanece endêmica na maioria dos países tropicais, mesmo com a disponibilidade de vacinas. Ambos os vírus são uma ameaça latente à saúde pública. O ROCV causou um grande surto no final da década de 70 em seguida desapareceu sendo apenas evidenciado por estudos sorológicos. O presente estudo demonstra a importância da inclusão do ROCV em programas de vigilância em saúde e estudos contínuos de pesquisa. Somente com esse tipo de vigilância pode-se ser capaz de detectar associação deste vírus a casos de infecções neurológicas ou a outros casos propiciando diagnóstico rápido em laboratório de casos suspeitos seguidos por medidas de controle. Isso é fundamental para contenção desses patógenos, que podem passar despercebidos ou até causar grandes surtos como já evidenciado por outros arbovírus.