AUTORA: Hemilly Maia Nunes
TÍTULO: Atividade do extrato etanólico e do óleo essencial de Rosmarinus officinalis L. (alecrim), contra Strongyloides venezuelensis
ORIENTADORA: Professora Doutora Dra. Rosângela Maria Rodrigues
DEFESA DA DISSERTAÇÃO: 11/07/2023
RESUMO:
A estrongiloidíase é uma doença de distribuição global, causada pelo nematoide Strongyloides stercoralis. Apresenta elevada prevalência principalmente em países de clima tropical e subtropical, sendo evidente em regiões de baixa qualidade de vida, por estar relacionada diretamente as condições de higiene do indivíduo. Entre os medicamentos utilizados nessa enfermidade, estão o albendazol e Ivermectina, porém em virtude dos seus efeitos colaterais e da resistência adquirida, tem-se pesquisado novas abordagens terapêuticas com potencial terapêutico contra a estrongiloidíase. Desse modo, o estudo de plantas medicinais contribui com a pesquisa básica e como passo inicial para o desenvolvimento de novos fármacos em potencial para o tratamento dessa doença. Dentro deste cenário, esse estudo avaliou o potencial anti-helmíntico do extrato etanólico e óleo essencial de Rosmarinus officinalis L., no controle de S. venezuelensis. Foi realizado o Teste de Motilidade Larval (TML) inicialmente com o óleo essencial nas concentrações de 40, 80, 120, 160 e 200 mg/mL e posteriormente com o extrato etanólico nas concentrações de 0,5, 1, 2, 4 e 8 mg/mL. Foram utilizados como controle positivo a Ivermectina (0,00036 mg/mL) e, como controles negativo, água filtrada e PBS+DMSO 1% e 2%. Para obtenção das larvas 3 filarioides (L3), foram utilizadas fezes frescas de gerbilos para realização da cultura de fezes em carvão vegetal ativo e vermiculita, que em seguida foi incubada a 28ºC por 72 horas. Posteriormente, a cultura foi recuperada pelo método de Rugai, Mattos e Brisola para obtenção das larvas 3 filarioides (L3) para o TML. Então, 50 μL dos compostos testados foram incubados em tubos eppendorfs contendo aproximadamente 50 larvas para o TML. Os testes foram feitos em triplicata e após incubação a 28°C por 48 horas foi realizada a contagem das larvas. As contagens foram realizadas em microscopia óptica em intervalos de 24, 48 e 72 horas. A taxa de inibição da motilidade larval do extrato etanólico de R. officinalis L foi de 100% no período de 24 a 72 horas de incubação, nas maiores concentrações testadas (8, 4 e 2 mg/mL) e houve oscilação da mesma nas concentrações mais baixas. Já em relação a eficácia do óleo essencial, observou-se eficácia de 100%, de 24 a 72 horas de incubação, na maior concentração de 200 mg/mL e a menor eficácia foi observada na menor concentração testada (40 mg/mL). No teste de eletroscopia de RPE, foi possível verificar que o extrato etanólico permitiu fluidez na membrana marcada da larva de S. venezuelensis, interferindo assim na sobrevivência da espécie. Entretanto ao avaliar a viabilidade celular, todas as concentrações tanto do óleo essencial, quanto do extrato etanólico, foram tóxicas para as células testadas (fibroblastos). Conclui-se que o extrato etanólico e óleo essencial de R. officinalis L. apresentou potencial antiparasitário in vitro sobre as larvas de S. venezuelensis.
